Produtores de algodão devem ser reconhecidos por boas práticas sociais
15/09/2009 15:05
"Estas informações são um exemplo claríssimo de tudo o que a OIT (Organização Internacional do Trabalho) defende: o trabalho decente possibilita a transformação social e econômica tanto no plano local, quanto no global." A afirmação foi feita pela presidente da OIT no Brasil, Laís Abramo, durante reunião com o presidente da Associação Mato-grossense de Produtores do Algodão (Ampa), Gilson Pinesso, em Brasília, na quinta-feira passada (3). No encontro, a Associação apresentou o relatório das ações do Instituto Social do Algodão (IAS), no período de 2005 a 2009.
O principal resultado diz respeito à drástica redução de não conformidades em relação à legislação trabalhista, de segurança no trabalho e ambiental nas fazendas produtoras de algodão do Estado. O diagnóstico realizado por auditores do Instituto, em 2005, apontou 12 mil irregularidades na área de segurança e 6 mil de rotinas trabalhistas. "Atualmente registramos apenas 6 por cento de não conformidades em alguns itens", atestou Felix Balaniuc, diretor Executivo do IAS.
Gilson Pinesso lembrou que há cinco anos, em outra reunião na OIT, com a então presidente, Patrícia Audi e Ruth Vilela, secretária de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, a Ampa sofreu forte pressão devido à situação enfrentada por alguns produtores de algodão no Estado na época. "De certa forma isso foi bom, porque saímos daqui resolvidos a mudar aquele quadro", lembrou o presidente da Ampa. Para ele, a vida do empresário melhorou e a dos que trabalham na produção do algodão também melhorou, depois que a Ampa passou a investir na conscientização dos produtores e trabalhadores rurais. "Os produtores de algodão de Mato Grosso passarão a ser mencionados por exemplos de boas práticas sociais", destacou Paulo Sergio Muçouçah, coordenador do programa de Trabalho Decente e Empregos Verdes, da OIT.
Segundo dados apresentados pela Ampa, são investidos R$ 800 mil por ano, pelos produtores de algodão nas atividades do IAS. O diagnóstico inicial foi combatido com ações educativas e estruturais nas fazendas que firmam compromisso em implementar as adequações. A adesão ao projeto por parte dos produtores é voluntária. Além da auditagem, o IAS mantém contrato com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que certifica o trabalho como socialmente correto, a cada safra. Em três safras, sete milhões de fardos receberam o selo da ABNT.
Exportações - "Tudo isso é fundamental para o espaço que o algodão mato-grossense tem conseguido no mercado internacional. Tão importante quanto a qualidade do produto é a responsabilidade social que lhe for agregada", disse Pinesso, enquanto ofereceu dados a respeito da mudança de imagem do produtor de algodão de Mato Grosso no exterior. "Hoje temos 45% do mercado da Coréia", exemplificou.
Visita - Como conclusão da reunião, Luis Antonio Torres Machado, assistente de projeto nacional de combate ao trabalho escravo, da OIT, deverá visitar Mato Grosso, para conhecer de perto o trabalho do IAS.
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