País pode passar ao 2º lugar
04/05/2009 16:44
São Paulo. O Brasil pode passar de quarto a segundo maior exportador de algodão do planeta até 2018, deixando para trás o Uzbequistão e a Índia, e perdendo apenas dos Estados Unidos. É o que aposta Haroldo Rodrigues da Cunha, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), que participou de um dos principais painéis do XXIII Congresso Nacional de Técnicos Têxteis, realizado de 14 a 17 de abril, em São Paulo, em conjunto com a feira de máquinas Tecnotêxtil Brasil 2009, que mostrou os principais lançamentos de maquinário nacional e importado para o setor.
Apesar do alto custo nacional de produção, o País deve subir posições no ranking de exportadores porque a demanda das indústrias chinesa e indiana — hoje maiores produtores — cresce a uma velocidade assustadora. “Entre os principais exportadores, o Brasil é o único que pode crescer não só em produtividade, mas também em área plantada, e assumir esse importante papel no mercado mundial”, afirma.
Com a implantação de novas técnicas de gerenciamento do campo e investimentos maciços em pesquisas e equipamentos, os produtores conseguiram aumentar a qualidade e a quantidade do algodão brasileiro. Em 1997, o País produziu 411 mil toneladas. Em menos de 10 anos, esse número cresceu para 1,248 milhão de toneladas.
Além do aumento da produção, a alta produtividade permitiu que o País entrasse na exportação, enviando algodão principalmente para o Cazaquistão, Indonésia e Coréia do Sul. Hoje, a produtividade média local é de 1.486 quilos por hectare (Kg/ha). Há 10 anos, atingia apenas 460 kg/ ha.
“Há alguns anos a demanda da indústria interna se mantém constante, o que possibilita o aumento da quantidade de produto exportado”, explica Cunha. Para uma produção anual de 1,248 milhão de toneladas, o consumo interno varia entre 900 mil e um milhão de toneladas do produto.
Depois do parque têxtil de São Paulo, o do Ceará é o que mais consome algodão, com 220 mil toneladas anuais de pluma. Em 1992, o País chegou a ser o segundo maior importador do insumo têxtil, motivado pela redução de 60% para zero na alíquota de importação do algodão, promovida no Governo de Fernando Collor de Mello.
Custo elevado
Hoje, a produção algodoeira no Brasil está concentrada nos estados de Mato Grosso, Goiás e oeste da Bahia. A safra 2008/2009 absorveu uma área de plantio de 850 mil hectares, segundo os dados da Abrapa. O custo médio da cultura no Brasil é o mais elevado do mundo, de R$ 5.061,09 por hectare. “Só temos conseguido nos manter no ramo graças ao preço mínimo estabelecido pelo governo”, revela Cunha. O preço médio da arroba de pluma é de está em R$ 44,60.
Samira de Castro Repórter
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